meia noite e o relógio parece gritar. mais um dia se foi e eu continuo aqui, parece que no modo de espera, parado num ponto em que eu nem sei mais aonde queria chegar. não é como se eu não tivesse tentado, sabe? mas a vida insiste em me chamar pra dança e depois, sem aviso, apaga as luzes e deixa a música sumir. tem gente que aprende na escola, eu aprendi na queda. aprendi que a dor é professora exigente e que cada cicatriz tem uma história mal resolvida. mas com o tempo, a culpa se acumula como poeira nos cantos da casa, e a gente vai empurrando pra debaixo do tapete, finge que não tá lá. só que tá, caralho, e pesa. às vezes sinto uma esperança silenciosa, uma fagulha que insiste em não morrer, uma crença tímida de que um dia vou me sentir inteiro. mas aí, vem aquele sussurro, um lembrete do que não fui, do que deixei escapar. é uma luta constante, entre querer ser e não saber como. é difícil se perdoar quando a voz na sua cabeça não cala, e o coração tem medo de bater mais forte. talvez eu só precise de um recomeço, um novo capítulo. mas até lá, sigo tentando, tropeçando, quem sabe, um dia, encontrando meu próprio jeito de viver.