é foda, né? a gente chega nos 30 e poucos e, de repente, tudo que achava que sabia desmorona. aquele brilho que a gente tinha... puff! sumiu. trabalhar virou só isso mesmo: trabalhar. um dia atrás do outro, sem sentido, sem paixão. olho no espelho e nem sei quem é essa pessoa me olhando de volta. é vergonha misturada com cansaço. de tudo, de mim. a culpa é um parasita, fica se alimentando da minha paz. parece que carrego uma mochila cheia de pedras, mas sou eu que coloco cada uma delas lá. poderia largar, mas não consigo. não sei se mereço essa leveza. aprendi mais com a dor do que qualquer livro ou professor me ensinou. e dói saber que, muitas vezes, fui eu mesmo que causei essa dor. mas, quer saber? às vezes penso: será que ainda dá tempo de descobrir quem sou sem toda essa merda acumulada? reviver o que me fazia vibrar? mas aí o medo me engole. sou sempre o mesmo idiota, com as mesmas dúvidas. talvez algum dia, quem sabe? mas hoje, hoje só tô tentando não me afogar nesse mar de incertezas. não quero um final feliz, só quero um respiro. e isso já parece ser pedir demais. é foda.