Às vezes, sinto que sou feito de peças perdidas, um quebra-cabeça onde nada se encaixa bem. Pego-me olhando para o céu noturno, buscando uma estrela que me diga algo que eu não sei. Cresci cedo demais, talvez porque a vida não esperasse por mim. Aprendi a usar armaduras pesadas, enquanto todos ainda vestiam suas fantasias de infância. Trabalho duro. Sempre. É um ciclo repetitivo que me amarra ao chão, uma dança sem música, sem aplausos. Antigamente, essas mesmas mãos construíam castelos de areia que o vento levava. Hoje, constrói-se apenas o que não se vê, o que não se sente. A vida tornou-se um borrão de dias cinzentos, uma sequência de amanheceres sem magia. O desejo, esse velho amigo e inimigo, me puxa para direções contraditórias. Quero o que não posso ter, procuro o que não posso encontrar. Um desejo que pulsa forte, mas que nunca se apazigua. Aprendi com a dor; ela é uma professora implacável, mas fiel. Mais do que qualquer aula em sala, cada cicatriz é uma lição escrita na pele. E esse vazio, que me habita desde que me conheço, ecoa como um grito em campos abertos. Tenta engolir a esperança, transforma sonhos em sombras. Continuo a caminhar, mesmo sem destino certo, esperando que um dia o vento sopre uma melodia diferente. Apenas por hoje, deixarei o vazio falar, e talvez, ao ouvi-lo, possa, enfim, encontrar alguma paz.
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