às vezes eu paro e penso pra quê tudo isso. essa dança interminável de fazer o que esperam de mim, a máscara que nunca saiu, tá soldada na cara. freelance aqui, freelance ali. nada firme. tudo escorregando por entre os dedos como areia fina. um diploma pregado na parede, mas é só papel que nem adianta pra limpar a sujeira das contas que chegam todo mês. é aquele vazio que não para de gritar. solidão crônica, dizem. só que não é só estar sozinho. é ser sozinho, entende? todo mundo passando pela vida, e eu aqui, pagando de coadjuvante no meu próprio filme. me disseram que é fase, que passa. mas nunca passa. os panos quentes vêm de gente que diz ser amiga, mas na real, carrego eu eles nas costas. e tem o tal de "peso-morto". sempre sugando energia, sempre exigindo atenção, mas não move um dedo pra ajudar. só aparece quando precisa, desaparece quando não convém. nunca aprende o nome da dor que eu sinto, mas decora cada detalhe da própria. só que eu não sou terapeuta. e cansei de ser bombeiro apagando fogo de quem nem traz um balde pra ajudar. ser adulto é isso, né? trabalhar, pagar conta e sufocar o grito interno, brigar com o espelho. e no fim do dia, deitar a cabeça no travesseiro e torcer pra amanhã ser melhor. mas amanhã, parece, nunca chega.
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