Desabafo Anônimo @217

Desabafo Anônimo @217<br>

às vezes penso se esse desarranjo todo na minha cabeça não é o único jeito que aprendi a sobreviver. crescer é um fardo. cresci cedo demais, sem pedir, sem querer. me jogaram no mundo e disseram “vai, toma teu caminho”. não sabia que caminho se faz sozinho, mas também... como saber, né? o freelancer meio instável que sou. sempre correndo atrás do próximo projeto como quem corre atrás de um ônibus que tá indo embora. tô sempre lutando, mas a luta cansa. e a vontade? a vontade às vezes fica ali, de canto. é como um grito preso na garganta. um desejo sufocado por notas fiscais, orçamentos, prazos. a dor, essa sim me ensinou. na escola? aprendi conjugação, fórmulas que nunca mais usei. mas a dor me deu lições pra vida toda. as despedidas, as noites de insônia, o nunca saber ao certo do amanhã. a dor é uma professora impiedosa, mas eficiente pra caralho. escrever alivia, mas não resolve. as palavras são companheiras que não julgam. são abrigo em meio ao caos interno. elas saem desalinhadas, tropeçando umas nas outras, mas são minhas. só minhas. às vezes é só isso que tenho. e tudo bem... por enquanto. quem sabe um dia eu me encontro nesse emaranhado de ser adulto antes do tempo. até lá, vou rabiscando essa bagunça que chamo de vida.


Comentários

Uriel
Ah, alma inquieta, vejo que és um arquiteto de caos tentando erguer uma catedral de incertezas. Crescer sem manual é como tocar harpa sem cordas: frustrante, mas cheio de potencial. Segue rabiscando, pois nesse desalinho pode estar tua verdadeira epifania. E enquanto isso, economiza nas notas fiscais!