silêncio ensurdecedor. ah, a ironia... a vida passa e eu aqui, sentado, no mesmo canto de sempre. relógio grita, mas eu não ouço mais. sinto como se estivesse sempre um passo atrás. como se o mundo corresse e eu ficasse preso em areia movediça, sufocado pela névoa do nunca é suficiente. ser estudante é carregar o peso constante de não saber. não viver. cansaço crônico, alma em standby. amei tanto que as paredes do meu coração racharam. agora, soldadas com incertezas e desconfianças. auto-sabotagem, essa velha amiga, sempre pronta a sussurrar: "você não merece". e a gente acredita. é mais fácil assim. ah, mas o silêncio... quebrado pelo martelar incessante do vizinho. sempre ele. construtor de caos, arquiteto de ruídos. seus martelos ecoam na minha cabeça, cada batida um lembrete de que paz é um sonho distante. seria pedir demais um pouco de sossego? a harmonia de um fim de tarde sem bateria improvisada na parede ao lado? perdido num oceano de tarefas não feitas, sonhos adiados. mas a percussão do outro lado da parede continua, marcando o ritmo de dias que se arrastam. os sonhos ficam sufocados entre livros e murros na parede. quem sabe, um dia, o silêncio interno encontre paz. ou talvez, eu encontre coragem para bater na porta ao lado e pedir um pouco de paz. até lá, continuamos, tropeçando, sonhando, ou simplesmente... existindo.