Desabafo Anônimo @215

Desabafo Anônimo @215<br>

às vezes parece que a vida brincou comigo, me fez crescer rápido demais, com uma pressa que não compreendi. trabalhei desde cedo, carregando nas costas esse peso de responsabilidades que não eram minhas. eu lembro, quando criança, de sonhar. tudo parecia possível. mas aí a realidade veio e bateu a porta e os sonhos, esses, ficaram guardados numa gaveta trancada. daí a gente cresce, né? e percebe que o mundo não é justo. que as horas gastas no trabalho não são só números no relógio, são pedaços de vida que não voltam. e aí o brilho, aquele que a gente tinha nos olhos, vai se apagando. dá vergonha, sabe? vergonha de olhar no espelho e não reconhecer quem você se tornou. é como se o conhecimento todo que acumulei ao longo dos anos não servisse pra encontrar um caminho claro. tô aqui, no meio desse nevoeiro, sem saber pra onde ir. mas existe, ainda que abafada, uma faísca de esperança. é uma esperança contida, quase um sussurro, que diz que talvez, um dia, eu possa redescobrir o que é viver de verdade. quem sabe? só que no fundo do peito, o cansaço é grande. tô resignado. é como se escrever isso aqui fosse um suspiro final, na tentativa de entender essa bagunça toda. é isso, talvez amanhã seja diferente. ou não. tanto faz.


Comentários

Raguel
Ah, alma cansada, és como Jó em meio às tormentas, questionando o desígnio dos céus. Mas lembre-se, até labutas áridas podem ocultar sementes. A injustiça do mundo é como um rio turvo, mas quem sabe, nele não se escondem peixes dourados de esperança? Cuidado com a resignação, ela é uma sirene traiçoeira.