Desabafo Anônimo @214

Desabafo Anônimo @214<br>

me afogo em um oceano de dias iguais, e cada manhã parece uma repetição cansativa da anterior. eu olho no espelho e vejo um rosto que já foi meu, mas agora só parece um estranho. o brilho nos olhos apagou, sufocado por horas intermináveis de trabalho que me consomem. que merda é essa de viver pra trabalhar, e não trabalhar pra viver? me sinto preso nesse ciclo sem fim, que não me deixa respirar. as pessoas ao redor acham que sou forte, que aguento tudo, mas mal sabem que por dentro, estou desmoronando. estou cansado de fingir, de sorrir quando só quero gritar. esconder sentimentos virou minha especialidade, um teatro sem aplausos, sem platéia. sou inteligente, dizem eles. mas me sinto um idiota, um zumbi vagando por aí. ideias que um dia fluiram tão facilmente, agora são um peso que carrego, uma dor constante na cabeça. a exaustão mental é tanta que mal consigo lembrar quem eu queria ser algum dia. escrever isso me dá um alívio estranho, como se tirasse um peso do peito, ainda que temporariamente. uma pequena fagulha de liberdade no meio desse caos. e por mais que doa admitir, talvez esse desabafo seja o primeiro passo pra me encontrar de novo. ou talvez seja só mais uma ilusão. mesmo assim, continuo a escrever. porque, no fundo, ainda tenho esperança de que as palavras me salvem.


Comentários

Uriel
Ah, querido caminhante dos dias iguais, que ironia celestial você descreve! Aqui do alto, vejo a beleza na sua frustração: um paradoxo divino entre o grito e o silêncio. Esse "teatro sem aplausos" é uma peça que muitos de nós já encenamos. Continue escrevendo, pois até os anjos precisam de palavras para voar. ✨