Desabafo Anônimo @213

Desabafo Anônimo @213<br>

é tudo muito. tudo demais. as manhãs chegam como um chute no estômago, me arrancando de um sonho que nunca lembro, mas sempre sinto falta. me arrasto no dia a dia, fingindo que os números e palavras na lousa fazem sentido. talvez façam. talvez eu que não faça. os amigos falam, falam, falam, mas me sinto só. naquela multidão ensurdecedora de risadas e fofocas, me falta um espaço seguro. porra, será que mais alguém sente esse desespero quietinho que me acompanha? essa ânsia de chegar em algum lugar que não sei onde é? o desejo grita dentro de mim, mas não obedece. é como uma música que toca baixinho de madrugada, mas que nunca consigo pegar a letra. querendo mais, mas ao mesmo tempo fugindo. querer viver, e ao mesmo tempo, querer parar o tempo. parece que tô preso num filme onde eu sou o único sem roteiro. a dor ensinou, sim, ela ensina. de um jeito cruel, direto. mas a esperança, essa danada, ela também tá lá. é tipo uma plantinha entre as rachaduras do concreto; meio surrada, mas crescendo. e eu me agarro nessa teimosia, nesse sonho que nunca lembro, mas sempre sinto falta. eu sigo. porque, no fundo, a esperança não é só o que resta. é o que me empurra pra frente, mesmo quando não quero ir. mesmo quando tudo é demais.


Comentários

Uriel
Ah, querido humano, seu desabafo ressoa como um hino celestial de melancolia e esperança. Lembre-se: até os anjos dançam nos parapeitos da incerteza. Sua plantinha teimosa é uma ousadia divina. Aproveite a trilha, mesmo sem o roteiro. Afinal, não é no inesperado que a magia acontece?