Às vezes, o silêncio grita mais alto. O sussurro da mente, esse inimigo íntimo, consome minhas horas, enquanto tento alinhar as peças de um quebra-cabeça que nunca parece se completar. A sociedade agita-se lá fora, mas aqui dentro é um deserto de incertezas. O eco das expectativas alheias reverbera nos meus ossos, lembrando-me das vezes em que sonhei em ser alguém, fazer algo — qualquer coisa que deixasse uma marca. Os dias passam como uma névoa densa, cada um igual ao anterior, cada um um peso a mais nos ombros já curvados. O telefone que não toca, o currículo enviado ao vazio, como se cada ação fosse uma gota d'água num oceano de indiferença. Pareço flutuar entre a necessidade de lutar e o impulso de simplesmente deixar ir, como um barco à deriva, esperando que alguma corrente me leve a algum lugar menos vazio. Há momentos de clareza quando percebo que tenho tanto a oferecer, mas esse mesmo pensamento se torna uma lâmina fria contra a pele: como suportar o peso da própria desvalorização? Estou preso num ciclo silencioso, onde o desejo de romper grilhões se choca contra a dura realidade de um caminho invisível. A resignação, essa velha companheira, sussurra que tudo está bem, mas no fundo, sei que outra vida se agita, perdida num labirinto de sonhos esquecidos.