Caminho entre sombras que eu mesmo criei, um labirinto sem saída, onde portas se fecham antes mesmo que eu possa tocá-las. A cada esquina, o reflexo distorcido de quem eu sou. Não é este o rosto que quero ver, mas é tudo o que conheço. O tempo escorre pelos meus dedos, como areia, lembrando-me de que os dias não esperam. Sonhos deixados na prateleira, cobertos pelo pó da hesitação. A esperança uma vez vibrante, hoje um sussurro apagado. Cada decisão não tomada, uma ferida que mal cicatriza. O estômago se aperta, não pela fome, mas pela ânsia de ser mais, de ser tudo aquilo que um dia imaginei. E a culpa sussurra nos meus ouvidos, companheira constante nas horas de silêncio. Diz-me que fui eu quem abandonei a mim mesmo. Os ecos dos que partiram sem olhar para trás ainda reverberam. Despertar é uma luta, tão simples quanto trágica. Acordar para enfrentar o vazio de um dia sem propósito. E ainda assim, dentro de mim, uma chama teimosa que se recusa a apagar. E se? E se ainda houver tempo? Talvez eu me encontre. Talvez, um dia, eu consiga perdoar este coração pesado, que anseia, em meio ao caos, por redenção. E quem sabe, em um sussurro gentil do tempo, redescobrir a poesia em meio às ruínas.
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