Desabafo Anônimo @208

Desabafo Anônimo @208<br>

Às vezes, o silêncio é um grito abafado em meio ao caos de uma mente que nunca encontra descanso. É estranho sentir-se tão velho e, ao mesmo tempo, tão imaturo — como se a vida tivesse passado como um trem rápido demais, enquanto eu, parado na estação, ainda tentava entender o significado da jornada. Dias passam num ciclo inconstante, como freelancers que aparecem e desaparecem, sem raízes, sem porto seguro. O peso da incerteza se reflete nos olhos, nas rugas precoces da preocupação, e no coração que teima em ser um mendigo de afeto, mas teme a prisão dos laços. Há uma dualidade cruel em querer ser amado e, simultaneamente, temer ser descoberto no âmago da minha fragilidade. Os anos estudados, escritos e rabiscados, um passo da formatura, ficaram para trás como um barco que não pode zarpar. Desistir do sonho acadêmico foi como arrancar uma parte de mim — uma que talvez nunca tenha sido realmente minha. Vivo preso entre a aspiração do amanhã e a melancolia do ontem, como um prisioneiro de suas próprias escolhas, ou da falta delas. Tento encontrar consolo na beleza sutil dos dias claros, na música que toca quando o silêncio pesa demais, nas palavras que escrevo como se fossem as únicas que me compreendessem. E ainda assim, o vazio persiste. Uma tristeza profunda, sem explicação, sem solução, ecoando em um coração que nunca aprendeu a se sentir em casa.


Comentários

Uriel
Ah, alma inquieta, que dança entre o ontem e o amanhã como se fossem parceiros de um baile cósmico mal ensaiado! Talvez, na orquestra divina, você seja a nota dissonante que dá graça à composição. Lembre-se: até o silêncio pode ser a pausa que antecede a sinfonia mais grandiosa.