Caminho por corredores silenciosos, onde o eco dos meus passos parece sussurrar meus segredos mais profundos. Há um peso que não sei de onde vem, mas que sempre esteve aqui. Invisível, mas presente. O olhar dos outros atravessa meu corpo, sem nunca realmente ver. E o silêncio... ah, o silêncio é ensurdecedor. A maré de responsabilidades me engole, deixo-me arrastar. Sou um acrobata sem rede, pendurado entre as expectativas e a realidade. Faço listas na cabeça que nunca se materializam. São promessas quebradas, compromissos adiados, como um relógio que corre sempre atrasado. Olho no espelho e vejo alguém que conheço, mas não compreendo. Me afasto, me protejo. O coração cercado de muros altos, construídos com tijolos de memórias ruins, cimentados pela falta. A solidão é minha companheira mais fiel, um velho amigo que segura minha mão nas noites frias. O abandono é uma sombra que se estende por onde vou, uma tatuagem na alma que não se apaga. Culpa. Ela sussurra meu nome todas as manhãs, me lembra das oportunidades perdidas, dos erros acumulados. Tantas palavras nunca ditas. Tantos sentimentos nunca sentidos. Tento seguir em frente, mas meus pés estão presos no chão de alguma lembrança antiga. Sou meu próprio carrasco, preso em um ciclo de auto-sabotagem. E ainda assim, há uma lágrima que resiste. Uma chama que teima em não se apagar. A esperança de, um dia, encontrar a chave para o labirinto que criei.