Estou cada dia mais velho e cansado. Sem muita esperança.Às vezes eu sinto que estou montando um quebra-cabeça com peças quebradas. O pior é que fui eu quem quebrou — ou permiti que quebrassem. Crises, pancadas da vida, promessas furadas, gente que entra e suga, gente que finge que ouve. Não sei mais quem sobrou de mim. Só sei que continuo aqui. E isso já é coisa pra caralho. Sou o tipo de cara que pensava demais. Que sentia demais. Que queria entender o mundo todo pra ver se entendia a si mesmo. Mas hoje, o que eu quero mesmo é silêncio. Silêncio nas cobranças. Silêncio nas vozes que moram na minha cabeça dizendo “você já foi melhor”. Foda-se. Eu sou agora. E agora eu tô tentando, mesmo fodido, mesmo sozinho, mesmo endividado até o pescoço. Eu era rápido, brilhante, sagaz. Agora sou lento, cansado e ressabiado. Mas ainda tem fogo aqui. Um tiquinho. Uma brasa. E enquanto essa brasa estiver acesa, eu escrevo, eu estudo, eu desenho, eu luto. À minha maneira. No meu ritmo. Sem plateia. Sem precisar provar nada pra quem nunca me ofereceu nem um copo d’água. Eu só queria um lugar seguro. Um dia leve. Um abraço sem agenda. Mas enquanto não vem, eu fico de pé. Mesmo torto. Mesmo com a alma rangendo. Porque no fim das contas, ainda sou eu aqui. E isso… já é muito.
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