Desabafo Anônimo @197

Desabafo Anônimo @197<br>

Há dias em que sinto a vida como um quarto vazio, onde cada passo ecoa um pouco mais alto na solidão. Parece que o mundo teima em girar numa constância que não me pertence mais, e, em meio a essa dança cíclica, eu me vejo à margem, segurando uma moldura sem foto, tentando lembrar o que deveria estar ali. Perdi a conta de quantas ideias eu comecei com entusiasmo e deixei pelo caminho, como esboços de um futuro que nunca se concretizou. A cada nova tentativa, uma esperança renovada, porém sempre contida, como um pássaro que não se atreve a voar muito alto. O peso de não pertencer a lugar nenhum, nem mesmo a mim, é constante, e a liberdade que um dia cresci desejando se tornou uma gaiola invisível. Ainda assim, há algo dentro de mim que se recusa a silenciar. É essa fagulha insistente que me faz acreditar que talvez, em algum momento, o eco cessará e o vazio será preenchido novamente, não por uma versão idealizada de sucesso ou por amores que prometem eternidade, mas por uma paz inesperada. Talvez essa seja a redenção silenciosa dos que aprendem a caminhar sozinhos, encontrando na solidão não apenas um fardo, mas uma forma de recomeçar.


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