Às vezes, o silêncio grita mais alto do que qualquer palavra dita. Estou aqui, preso nesse hiato onde o tempo passa, mas a vida parece estagnada. As dúvidas pendem sobre minha cabeça como uma espada afiada, pronta a descer a qualquer momento. Olho ao redor e vejo rostos alegres, conversas frívolas, mas tudo que sinto é um vazio incessante. As páginas que folheei, as teorias que acumulei, não me ofereceram respostas, apenas novas perguntas. Sempre fui ensinado a seguir em frente, mas para onde quando o caminho se dissolve em névoas? A companhia de outros, embora desejada, assusta — a possibilidade de se apegar e perder novamente é um fardo que não sei se posso carregar. Há os bajuladores, aquelas sombras que rastejam em busca de favores e migalhas, dançando conforme a música toca, sem jamais entenderem a melodia. Eles vestem sorrisos como máscaras, acreditando que o eco vazio de suas palavras pode preencher algum canto sombrio que jamais compreenderão. Enquanto isso, eu fico contigo, papel em branco, uma confissão silenciada, esperando que essas palavras, ainda que breves, sejam um ponto final para meu desespero contido. Que a tinta que derramo seja a última lágrima que este vazio venha exigir.