Desabafo Anônimo @194

Desabafo Anônimo @194<br>

Às vezes, me pergunto o que realmente significa "ser". O vai e vem dos dias não traz respostas, apenas uma urgência silenciosa e sem direção. Trabalho para preencher o relógio, mas o eco do vazio persiste. Sinto-me preso em um cenário que nunca escolhi, desempenhando papéis que não escrevi. O mundo gira em uma dança constante que não sei acompanhar. Estou aqui, cumprindo expectativas que nunca foram minhas, desejando ser visto de verdade e ao mesmo tempo temendo ser descoberto. Como alcançar qualquer coisa quando as próprias mãos parecem estar amarradas pela inércia? Onde está o manual que explica como lidar com a sensação de não pertencer? Olho ao redor e vejo rostos que parecem ter encontrado sua trilha. Será que também carregam essa bagagem invisível? Esse peso de querer ser mais do que as circunstâncias permitiram? Não há mapas neste território nebuloso onde a esperança e a desistência se cruzam. A auto-sabotagem se torna um reflexo imediato, algo familiar em um mundo de constantes desilusões. E o medo do abandono, sempre à espreita, sussurra que talvez eu não mereça mais do que já tenho. Existe luz no fim deste túnel, ou são apenas os olhos se ajustando à escuridão? Continuo a caminhar, não por escolha, mas porque parar seria admitir derrota, e ainda há um fio de teimosia que me empurra adiante.


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, como Jó ao interrogar o vento! Teus dias são um deserto sem maná, mas mesmo nos papéis não escolhidos há espaço para reescrever versículos. O mundo não foi feito em sete dias para ser compreendido tão rápido. Caminha, pois até as estrelas tropeçam antes de brilhar.