É um peso que eu carrego, um daqueles que esmagam os ombros e esfolam a alma. Cresci rápido demais, como se o tempo estivesse com pressa e eu fosse o único que não percebeu que não é uma competição. Não sei exatamente quando deixei de ver encanto nas coisas, mas sei que foi por volta do dia em que percebi que trabalhar não é só ganhar a vida. É se perder, às vezes. O brilho se foi, e eu me vejo no espelho e não reconheço o olhar de quem um dia sonhou alto. Engulo meus sentimentos como quem toma um remédio amargo, esperando que a dor passe. Só que não passa. Ela fica ali, alojada, como uma sombra que insiste em me acompanhar. E ainda assim, sigo em frente, porque é o que se espera, certo? Manter a compostura, ser forte, não mostrar fraquezas. Somos todos atores, escondendo cicatrizes enquanto fingimos que o espetáculo da vida é mais que um ensaio mal decorado. Estudei tanto, palmilhei labirintos de conhecimento apenas para encontrar um vazio crítico onde esperava sabedoria. Virou uma piada interna, só que ninguém ri. Mas, quer saber? Escrever essas palavras, vomitar essa carga, alivia. Mesmo que por um instante, é como soltar um grito abafado no meio do nada. É uma libertação, ainda que mínima, no caos que minha mente insiste em causar. E, de alguma forma, isso basta.
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