Ser forte não é uma escolha. Não pra quem precisa ser. A vida sempre pede, exige, e a gente só aprende a dar. Fui eu quem segurou o peso do mundo quando ainda nem sabia direito o que era carregar a mim mesma. Cresci rápido, porque não tinha outro jeito. Enquanto outros brincavam, eu calculava as contas do mês, enquanto sorrisos escapavam, eu engolia palavras afiadas. Os dias passam lentos, mas os anos voam. E nesse voo, amadureci. Amadureci cedo demais, cedo como o sol nascendo, que já esquenta a pele de manhã, mesmo quando tudo que você quer é um pouco mais de sombra e silêncio. Os deveres, aqueles que ninguém vê, me mantêm cativa. Cada dia mais invisível, cada vez mais irreconhecível até pra mim. Solidão é mais do que um quarto vazio. É a companhia constante de um silêncio que grita, um eco de tudo que nunca foi dito. Vergonha? Ah, essa, aprendi a conviver, à sombra dos outros, tentando caber em moldes que nunca me serviram. Aprendi a suportar mais do que qualquer lição de escola poderia ensinar. A dor foi uma mestra persistente, ensinou-me lições que marcaram fundo, que ainda latejam, que me lembram da sobrevivência diária. Essa é a realidade. Dura, crua, sem espaço para lágrimas. Já gastei todas.