Há um tipo de cansaço que não se alivia com sono. É um peso que se aloja no peito, uma cordilheira que não se dobra à vontade. O tempo, que deveria ser um aliado, se transforma em um mestre implacável, arrastando-me para um futuro indistinto enquanto eu ainda tento costurar as bordas esfarrapadas deste presente. Aqui, no silêncio que construí, há uma paz dissonante, como um acorde fora de tom que nunca se resolve. Aprendi a sorrir enquanto meu coração chorava uma sinfonia muda. A cada dia, o mundo exige mais e eu dou, mesmo quando parece que não resta nada. Sigo por um caminho já traçado, um labirinto de expectativas que nunca foram realmente minhas, mas que aprendi a chamar de casa. É estranho pensar que meu aprendizado mais profundo veio de onde dói, como se a dor fosse uma professora mais atenta do que qualquer sala de aula. Entre livros e papéis, onde meus sonhos deveriam florescer, encontrei um vazio que nada preenche. Minha voz, guardada a sete chaves, raramente quebra o silêncio, acostumada a ser dobrada como roupa velha no fundo do armário. Talvez um dia a coragem de desfazer esses nós chegue. Por ora, sou apenas um retrato em sepia, um vislumbre de esperança ofuscada na vastidão do que poderia ter sido.