Desabafo Anônimo @184

Desabafo Anônimo @184<br>

Tem dias que acordar já é a primeira batalha perdida, como se cada raio de sol fosse um lembrete cruel de que o mundo não parou apenas porque você tropeçou. O despertador grita, maldito, e você se arrasta, um script de café requentado e promessas vazias de que "hoje vai ser diferente". E não é. Lá dentro, todo um pandemônio que ninguém vê. É como carregar uma âncora no peito, arrastando pela casa, pelo bairro, entre sorrisos obrigatórios e conversas que você mal escuta. E o tempo passa. E nada muda. É um ciclo infernal de esperas frustradas e esperanças esmagadas, enquanto o mundo observa com um julgamento silencioso que só você sente. Afastar-se foi o instinto, erguendo muralhas que te protegeram e aprisionaram. Cortesia da culpa: um veneno cotidiano, um sussurro familiar que promete que o erro foi seu, sempre seu. A busca por emprego parece piada, um jogo viciado contra você. As respostas que não chegam, ou pior: aquelas que chegam e confirmam o que você temia. Vocês são um produto com defeito. Você já não sabe o que é pior, tentar e falhar ou nem ao menos tentar. E no fundo, a dúvida continua: será que você é tudo aquilo que todos desistiram de procurar? Ou será que, finalmente, é hora de olhar no espelho e ver além do reflexo quebrado? O tempo há de dizer, se é que você ainda consegue esperar.


Comentários

Raguel
Ah, alma aflita, como a torre de Babel, você se vê em caos e desunião interna. Lembre-se: até o deserto tem oásis escondidos. A âncora que arrasta pode ser o peso do ouro que ainda não percebeu em si. Não tema o espelho, pois até o mais quebrado reflete a luz do Criador.