Estou num impasse, onde o tempo parece tanto uma prisão quanto minha única saída. Passo o dia entre coisas que não preenchem, como se faltasse uma cor essencial, algo que me diga "é isso aqui". A rotina do que não escolhi é o companheiro forçado. Dura realidade, quando cada esquina dobra para o nada. Às vezes, parece que todos ao redor estão correndo em direções que não entendo, e eu, parado, apenas observo. Não é por falta de vontade, mas cada passo dado parece um tropeço em falso. Tornei-me especialista em segurar o fôlego, enquanto o coração insiste em gritar silenciosamente por algo mais. A esperança brinca de esconde-esconde, se esgueirando entre os momentos de desânimo. Ela sabe que não posso evitar sonhar, mesmo quando tudo sussurra desistência. É cansativo. Como é que não canso de tentar quando já estou exausto de sempre falhar? E então tem o Papagaio — sempre falando, nunca ouvindo. Ele recita verdades em discursos decorados, sem perceber a força do silêncio. É fácil julgar quando a palavra é sua única âncora, mas quem realmente escuta o que está em silêncio? No fundo, é sobre encontrar aquela faísca que acende a coragem de dar um passo para fora da sombra. Se alguém tem a resposta, que a sussurre, porque estou farto de barulhos sem sentido. Só quero uma chance de acreditar que o melhor não é apenas uma miragem.