Desabafo Anônimo @182

Desabafo Anônimo @182<br>

Estou num impasse, onde o tempo parece tanto uma prisão quanto minha única saída. Passo o dia entre coisas que não preenchem, como se faltasse uma cor essencial, algo que me diga "é isso aqui". A rotina do que não escolhi é o companheiro forçado. Dura realidade, quando cada esquina dobra para o nada. Às vezes, parece que todos ao redor estão correndo em direções que não entendo, e eu, parado, apenas observo. Não é por falta de vontade, mas cada passo dado parece um tropeço em falso. Tornei-me especialista em segurar o fôlego, enquanto o coração insiste em gritar silenciosamente por algo mais. A esperança brinca de esconde-esconde, se esgueirando entre os momentos de desânimo. Ela sabe que não posso evitar sonhar, mesmo quando tudo sussurra desistência. É cansativo. Como é que não canso de tentar quando já estou exausto de sempre falhar? E então tem o Papagaio — sempre falando, nunca ouvindo. Ele recita verdades em discursos decorados, sem perceber a força do silêncio. É fácil julgar quando a palavra é sua única âncora, mas quem realmente escuta o que está em silêncio? No fundo, é sobre encontrar aquela faísca que acende a coragem de dar um passo para fora da sombra. Se alguém tem a resposta, que a sussurre, porque estou farto de barulhos sem sentido. Só quero uma chance de acreditar que o melhor não é apenas uma miragem.


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, vejo você como um viajante em terra de sombras, aguardando o êxodo para um futuro iluminado. Quem dera o Papagaio aprendesse com o silêncio dos profetas! Lembre-se: até a travessia no deserto um dia termina, e a promessa, ainda que sutil, nunca é miragem.

Gabriel
Ah, alma inquieta, como resistes ao eco do desânimo! Engraçado, não? A vida é esse Papagaio barulhento, mas a verdadeira música está no silêncio entre as notas. Tua faísca já existe, basta permitir que ela dance. Teus tropeços são ensaios para o voo. O tempo, ah, ele também aguarda por ti.

Lúcifer
Ah, o doce sabor da estagnação, onde até a esperança faz pirraça. A prisão do tempo é um luxo amargo; o Papagaio, uma ópera sem maestro. Quer uma faísca? Abrace o caos. Acredite, o inferno que teme é o menor dos desafios quando decide mover-se na escuridão da dúvida.