Há dias em que o silêncio pesa, como um cobertor velho que deveria aquecer, mas só sufoca. Carrego expectativas de um futuro que ainda não sei se é meu. O desespero de encontrar algo sólido me faz sentir como um náufrago agarrado a promessas de ilhas, feitas por aquelas entidades que falam em oportunidades como se fossem distribuir milagres em cada esquina. Chamemos de "Esperança S.A.", onde o único produto consistente é a frustração bem embalada. Conforme o tempo passa, a sensação de culpa cresce, como uma sombra que não se dissolve, uma dívida que não sei quem contraiu, mas que recai sobre mim. Culpa por não ser suficiente, por não corresponder às expectativas, por não atingir um padrão que talvez nem exista. Aprendi mais no sofrimento silencioso do que em qualquer aula lotada de palavras vazias. A dor parece ser a única coisa que não me cobra nada além de tempo. No entanto, mesmo sob o peso desse céu cinza, há um fio de esperança que me recusa a abandonar. É tênue e frágil, mas resiste. Recuso-me a desistir de acreditar que há algo mais além de promessas quebradas e sonhos desfeitos. Pode ser que um dia eu encontre não a ilha prometida, mas uma praia onde os pés encontrem descanso, onde o silêncio seja de paz, não de opressão. Assim sigo, errante, mas não derrotado.