Acordei hoje com aquela sensação de que o tempo é uma piada de mau gosto pregada pelos deuses do acaso. Engraçado, não é? Passa-se uma vida acumulando títulos, abraçando causas e empilhando conquistas como se fossem troféus de um campeonato imaginário. E aqui estou, no meio de uma estrada com um mapa antigo e sem legenda, tentando lembrar se deveria ter virado à esquerda, à direita, ou talvez nem ter saído de casa. Estudei tanto, sabe? Livros que me ensinaram tudo sobre o mundo, menos sobre mim mesmo. Tenho pilhas de conhecimento, das quais não sei bem o que fazer — como quem compra as ferramentas mais modernas, mas nunca constrói nada. A ironia é deliciosa, como um bolo que você passa horas fazendo e queima no forno. E a culpa? Ah, essa velha amiga que me acompanha, sussurrando que eu deveria ter feito mais, sido mais. Sorrio para ela, camarada de longa data, e pergunto se algum dia vai cansar de puxar meu tapete. No fundo, talvez eu esteja apenas esperando um ponto de exclamação que nunca vem, um sinal de que estou na direção certa, seja lá o que isso signifque. Até lá, continuo caminhando, trocando passos incertos por pequenas certezas diárias, enquanto o peso desse fardo invisível me lembra que, no final, são as perguntas que importam, não as respostas.