Lá fora, o mundo gira em um ritmo que meus pés não acompanham. Aqui dentro, neste casulo de incertezas, sinto como se o tempo tivesse parado. Os dias se arrastam, e eu me arrasto com eles, oscilando entre a esperança e a desesperança, entre o riso fugaz e a lágrima silenciosa. Procuro nas palavras escritas o que a voz não consegue expressar. Cada projeto que tomo em mãos é como um navio à deriva, sem bússola, sem norte. A conta no banco é um lembrete cruel de que minha liberdade tem preço. Trabalho, sim, mas o que faço não é quem sou. O silêncio da noite amplifica o eco dos sonhos que deixei pra trás. Meus pensamentos se entrelaçam, formando um emaranhado que não sei como desfazer. Pergunto-me onde me perdi, em que esquina da vida eu deixei cair a minha essência. Não é de hoje que me sinto assim, mas o tempo só fortalece a bruma que me envolve. Na solidão dos meus dias, corro para dentro de mim, buscando respostas em um labirinto de incertezas. Queria encontrar conforto nos traços que esboço, nas ideias que flutuam, mas a mão que desenha hesita, o traço vacila. Talvez eu só precise aprender a me permitir estar perdida. Talvez seja aqui, entre o caos e a calma, que eu finalmente me encontre.