É interessante como eles dizem que estamos na “melhor fase da vida”, quando a única coisa que realmente cresce é a lista de preocupações e o cinismo. Tenho um diploma que vale tanto quanto um pedaço de papel reciclado e uma rotina profissional que faria qualquer motivacional de internet engolir as palavras. Ser “educado demais para aceitar pouco” deveria vir com algum tipo de benefício, não? Mas ao invés disso, somos agraciados com um belíssimo assento na plateia do show de horrores que é o ciclo sem fim de promessas vazias e recompensas invisíveis. Ah, e há sempre o grupo dos "codinomes", os aduladores de plantão. Eles têm um talento impressionante para transformar mediocridade em arte, engraxando tanto as engrenagens do sistema que, quando param, você escorrega só de passar perto. Admirável. Mas enquanto os aplaudimos de pé, nossa própria voz se esvazia, perdida em um eco de obrigações. Guardamos sentimentos em caixas pequenas, empilhadas em algum canto da mente, esperando o momento certo para abri-las. Mas quem tem tempo para sentimentos? O tempo aqui é um luxo, reservado para contar moedas e pensar em mais um plano que talvez nos leve... aonde mesmo? Se sustentar parece ser uma façanha, quase uma ilusão de ótica: ela está lá e não está, como o sucesso que nos vendem e nunca chega. Continuamos, entretanto, como equilibristas numa corda bamba, esperando que o próximo passo nos leve para algo além do limbo da expectativa.