É um grito sufocado, isso é o que tenho dentro de mim. Acordar todo santo dia lutando com o espelho, como uma eterna batalha sem vencedor. A vida adulta vomitou responsabilidades que, francamente, me dão nojo. Eu, um labirinto ambulante, freelancer que se acha dono do próprio tempo, mas é só refém de um calendário insano e clientes que evaporam. Identidade? Um quebra-cabeça incompleto com peças que nunca se encaixam. Já nem sei mais quem sou, ou quem deveria ser. Um mendigo emocional, talvez. Recolho migalhas de validação, mas nunca são suficientes. Me esgoto tentando ser alguém que não decepcione, mas sempre escorrego na mesma casca de auto-sabotagem. A vergonha é uma sombra que me persegue, um lembrete constante de que sou um projeto inacabado. Já tentei vestir máscaras, mas elas nunca cobrem as cicatrizes do abandono. E essa solidão? É como um quarto fechado, onde só ecoam minhas próprias incertezas. Escrevo porque preciso respirar, porque cada palavra no papel é um tijolo a menos no peito. Não procuro consolo, só quero me despir de tudo isso, nem que seja por um instante. Talvez, ao fim desse desabafo, eu encontre um pedaço de paz nesse caos que chamo de vida.