Há um lugar em que me perco dentro de mim, onde os ecos de escolhas passadas ressoam insistentemente, mas nunca oferecem clareza. É uma angústia silenciosa que me envolve, como uma neblina espessa, sugando a cor do possível. A sensação de estar à margem de algo maior, porém intangível, me persegue. Será que todas as promessas que ouvi sobre a vida eram apenas ilusões que me guiaram para este caminho tão estreito e cansativo? O trabalho que faço não nutre a alma, mas paga contas. Em que momento aceitei trocar sonhos por segurança? O cansaço mental pesa mais que a dúvida e me vejo à deriva num oceano de responsabilidades que parecem crescer a cada dia. Houve um tempo em que eu amei intensamente, como uma chama viva que não conhece limites. Agora, caminhar pelas ruas lotadas só me traz um vazio frio, um lembrete cruel de que me fechei demais, talvez por medo de me perder novamente. A inteligência que um dia foi farol agora é fardo, questionando incessantemente, mas incapaz de encontrar respostas que satisfaçam. Será que algum dia reencontrarei esse sentido perdido? O que resta para quem não sabe mais para onde ir, que já encontrou um lar em sua própria dúvida? Curiosamente, a única certeza que me acompanha é a incerteza, e talvez, apenas talvez, ela me ofereça uma nova maneira de ver. Contudo, temo que a estrada esteja se tornando finita, e eu ainda à procura de um lugar onde finalmente pertença.