Caminho nas sombras do cotidiano, onde o tempo se desdobra em espirais silenciosas. Carrego nos ombros a sensação de que me perdi no meio de tudo, sem nunca ter realmente encontrado um lugar para chamar de meu. Os livros são companheiros fiéis, mas hoje as palavras dançam confusas, sem norte. Elas sussurram histórias que conheço bem demais, mas não me dão as respostas que eu procuro. O cansaço pesa, como se houvesse vivido séculos em vez de anos. Lembro-me dos sonhos que um dia me empurraram para frente, agora amontoados em uma caixa de promessas não cumpridas. O amor... esse amor que desejo, mas temo. Estendo a mão, apenas para recuar, com medo de sufocar na expectativa e na dor. A culpa é um fantasma, sempre à espreita, cochichando sobre as oportunidades que deixei passar. Decisões tomadas em um impulso, ou na ausência dele. Parece que estou em um campo de batalha invisível, lutando contra inimigos que são versões de mim mesmo. Tantas coisas que sei; o conhecimento é uma velha armadilha. Ele me preenche, mas não ilumina o caminho. Estou preso em um labirinto construído por minhas próprias mãos, e os muros são altos, feitos de dúvidas e incertezas. Talvez seja hora de parar, escutar o silêncio. Encontrar a essência que, em algum lugar, ainda vibra. Assim, quem sabe, poderei dar um passo, pequeno, mas firme, em direção a algum tipo de clareza.