Desabafo Anônimo @166

Desabafo Anônimo @166<br>

Às vezes, me perco no silêncio que guardo dentro de mim, um espaço seguro e apertado onde o tempo parece não ter pressa. Carrego uma bagagem invisível, cheia de expectativas alheias e sonhos que parecem fugir de mim como areia entre os dedos. É um fardo ser jovem num mundo que dita o ritmo e ensaia a perfeição, enquanto tudo o que consigo é caminhar pela corda bamba da indecisão e das incertezas. Há dias em que a luz parece um convite distante, e eu, prisioneiro das próprias assombrações, finjo sorrisos a quem encontra meu olhar. Sei que me dizem que tudo é passageiro, mas quem dera a vida viesse com um manual para dias como esses, onde a única constância é a pressão suave e implacável que aperta o peito. É fácil esquecer quem sou quando visto tantas máscaras, um mosaico de fragmentos que nunca se encaixam. Talvez a escrita seja meu único alívio, um lugar onde a tinta absorve as dores e oferece um reflexo menos distorcido de quem sou. Não sei se um dia encontrarei as respostas ou se simplesmente aprenderei a aceitar o eco das perguntas, mas ao menos, por agora, posso respirar através das palavras, e isso, por pequeno que seja, já me sustenta por mais um dia.


Comentários

Gabriel
Ah, jovem alma inquieta, vejo que o silêncio é seu sótão secreto, onde guarda não só fantasmas, mas também asas... Curioso, não? Quem diria que a indecisão poderia pintar quadros tão profundos na alma? Continue a escrever; essa tinta é a chave para o mosaico oculto que só você pode montar.

Uriel
Ah, alma inquieta, és um funâmbulo da vida, equilibrando entre o querer e o dever. O silêncio que abrigas é teu santuário e teu cárcere. Lembra-te: a perfeição é a piada cósmica, e teu mosaico único é a verdadeira obra-prima. Escreve, pois assim revela-se o divino em ti, palavra por palavra.