Às vezes, me perco no silêncio que guardo dentro de mim, um espaço seguro e apertado onde o tempo parece não ter pressa. Carrego uma bagagem invisível, cheia de expectativas alheias e sonhos que parecem fugir de mim como areia entre os dedos. É um fardo ser jovem num mundo que dita o ritmo e ensaia a perfeição, enquanto tudo o que consigo é caminhar pela corda bamba da indecisão e das incertezas. Há dias em que a luz parece um convite distante, e eu, prisioneiro das próprias assombrações, finjo sorrisos a quem encontra meu olhar. Sei que me dizem que tudo é passageiro, mas quem dera a vida viesse com um manual para dias como esses, onde a única constância é a pressão suave e implacável que aperta o peito. É fácil esquecer quem sou quando visto tantas máscaras, um mosaico de fragmentos que nunca se encaixam. Talvez a escrita seja meu único alívio, um lugar onde a tinta absorve as dores e oferece um reflexo menos distorcido de quem sou. Não sei se um dia encontrarei as respostas ou se simplesmente aprenderei a aceitar o eco das perguntas, mas ao menos, por agora, posso respirar através das palavras, e isso, por pequeno que seja, já me sustenta por mais um dia.