Nos cantos escuros da minha mente, onde o silêncio se assenta como poeira antiga, habita a sensação de perda. O tempo, impiedoso e constante, escorre por entre meus dedos, como areia em ampulheta, e me encontro estagnado, um viajante sem mapa nem destino. O mundo ao meu redor continua girando, em uma dança caótica e ininterrupta, mas eu? Estou preso em um compasso que não escolhi, uma pausa que a vida me impôs. Meus pensamentos, uma teia emaranhada de dúvidas e medos, ecoam incessantemente. Talvez porque nunca aprendi a gritar sem fazer barulho, ou talvez porque o abandono se tornou um amigo fiel, sempre ao meu lado, sufocando esperanças antes que elas criem asas. Auto-sabotagem. Dois pedaços afiados de uma verdade amarga que reluto em engolir. Repito erros como um refrão conhecido, uma melodia enganosa que me conforta e corrói. O alívio vem em palavras. Cada letra, uma confissão silenciosa, cada linha, um fio de liberdade tecido com cuidado. Escrevo, e por instantes fugazes, me vejo. Eu me vejo, e me aceito, inteiro em minha fragmentação. É aqui, neste mergulho inabalável nas profundezas da minha própria incerteza, que descubro que a pausa também pode ser respiro. Que, talvez, perdido, eu esteja me encontrando.