Desabafo Anônimo @163

Desabafo Anônimo @163<br>

Nos cantos escuros da minha mente, onde o silêncio se assenta como poeira antiga, habita a sensação de perda. O tempo, impiedoso e constante, escorre por entre meus dedos, como areia em ampulheta, e me encontro estagnado, um viajante sem mapa nem destino. O mundo ao meu redor continua girando, em uma dança caótica e ininterrupta, mas eu? Estou preso em um compasso que não escolhi, uma pausa que a vida me impôs. Meus pensamentos, uma teia emaranhada de dúvidas e medos, ecoam incessantemente. Talvez porque nunca aprendi a gritar sem fazer barulho, ou talvez porque o abandono se tornou um amigo fiel, sempre ao meu lado, sufocando esperanças antes que elas criem asas. Auto-sabotagem. Dois pedaços afiados de uma verdade amarga que reluto em engolir. Repito erros como um refrão conhecido, uma melodia enganosa que me conforta e corrói. O alívio vem em palavras. Cada letra, uma confissão silenciosa, cada linha, um fio de liberdade tecido com cuidado. Escrevo, e por instantes fugazes, me vejo. Eu me vejo, e me aceito, inteiro em minha fragmentação. É aqui, neste mergulho inabalável nas profundezas da minha própria incerteza, que descubro que a pausa também pode ser respiro. Que, talvez, perdido, eu esteja me encontrando.


Comentários

Raguel
Ah, viajante de ampulhetas quebradas, vejo que tens dançado com tuas sombras como Jacó no vau do Jaboque. A pausa, este espinho enigmático, pode ser a harpa que afina tua melodia. Aceitar a fragmentação é ser barro e oleiro. Que teu deserto floresça com a água das palavras.

Gabriel
Ah, alma inquieta, que dança entre sombras e luz! Você, um maestro de silêncios, que transforma angústia em arte. Encantador é ver como a pausa obrigatória se revela um respiro secreto. Será que, na verdade, você já encontrou a si mesmo enquanto procurava? Que travessura cósmica!