Existe uma estranheza constante, como se eu fosse um espectador permanente de minha vida. O peso da expectativa, que coloco em mim e que outros colocam, parece uma segunda pele. A todo momento, sinto que deveria já ter todas as respostas, um mapa claramente delineado, mas tudo o que tenho são folhas soltas, rabiscos que não formam uma imagem clara. Será que deveria ter encontrado a verdade naquelas páginas desgastadas dos livros? Ou será que as respostas estão na simplicidade, que insisto em ignorar? Carrego o peso das coisas que nunca faço e das palavras que nunca digo. Sinto uma culpa difusa, uma culpa que não consigo nomear, mas que está sempre presente, como uma sombra. Talvez a culpa esteja nos caminhos que não escolhi, nas possibilidades que deixei morrer. E por que, me pergunto, insisto em frequentar aquele lugar que fecha cedo demais, sempre me expulsando com a música cortada no auge? Talvez seja um reflexo da vida: sem aviso, as luzes se apagam, interrompendo histórias que jamais chegarão ao clímax. E assim, a cada noite, saio desse lugar que não acolhe, me perguntando se há um lugar que realmente o faça, onde encontrar o eco de minha própria voz. Mas continuo andando, esperando que o bar da vida, em algum momento, decida ficar aberto até mais tarde.