As horas passam lentas, uma eternidade fracionada entre um café frio e o próximo. A sensação é de ser um espectador da própria vida, sentado na arquibancada das decisões não tomadas. Ouvindo o eco dos dias embrulhados na mesmice, me pergunto se algum dia serei mais que um rascunho inacabado. A pilha de livros ao lado da cama é um testemunho silencioso de um conhecimento que não encontra vazão. Palavras complicadas para disfarçar a ociosidade. O telefone repousa em silêncio absoluto. Antigos laços se desfizeram ou talvez nunca tenham sido fortes o bastante. Relacionar-se parece um jogo para o qual nunca li as regras. E assim, as interações se desdobram como um teatro com falhas no roteiro. Estou cada vez mais longe, mas não o suficiente para desaparecer completamente. Apenas o bastante para não ser visto. Procuro um propósito nos pequenos detalhes: a forma que a luz dança entre as cortinas, o som da cidade que nunca dorme, mas sempre sonha. E aqui, parado, sem trabalho para chamar de meu, sem âncora que me prenda a este mundo volátil, fico. Respirando. Tentando. Esperando, talvez, que o silêncio se transforme em música ou que as horas se acelerem, finalmente me levando para algum lugar que sinta ser meu. Talvez um novo dia traga algo diferente. Ou no mínimo, mais um café.
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