Despertei num sistema que me vendeu um sonho que nunca pude comprar. Me disseram que era só estudar, só trabalhar duro, só seguir as regras que tudo se encaixaria. Então por que me sinto como uma peça que nunca se encaixa? Metodicamente cumprimento as obrigações, mas elas não me recompensam. O mundo ao meu redor pisca com promessas vazias de satisfação instantânea enquanto eu remo em um mar de mediocridade. A cada dia que se passa, o relógio ri na minha cara. As horas, os anos, eles escorrem pelos meus dedos e me pergunto: "É isso?" Me recuso a aceitar que essa seja a vida que me venderam, mas onde está a saída? Subempregado, subestimado — sinto que estou preso, um prisioneiro dos próprios sonhos falidos, dos incansáveis "quase" que me cercam como uma maldição. Sou educado demais, disseram. Filho dos livros, das boas maneiras. Mas de que adianta tanta educação num mundo que não quer saber de história ou arte, só das cifras? Minhas mãos já não sabem mais o que fazer; minha mente, um labirinto de revolta acumulada. A revolta não me abandona porque sei que sou mais, que posso mais, mas o mundo insiste em me dobrar sob seu peso. Essa frustração amarga, essa raiva que cresci calando, agora transborda. Porque não, não estou satisfeito. Não vou sossegar enquanto não descobrir onde está o meu lugar nesse caos.