Há uma fadiga que me pesa nos ombros, não daquelas que o sono resolve, mas uma exaustão de ser. Cresci rápido demais, sem que ninguém me dissesse que era permitido ser jovem, ser tolo. Sempre me vi enredado numa teia de compromissos que nunca escolhi, mas que me engoliram como se fossem meus por direito. E aqui estou eu, bancando o adulto que nunca quis ser, sentado numa cadeira que mais parece areia movediça, onde cada tentativa de me afirmar me afunda mais. O trabalho é um eco distante de tudo que sonhei, como se o mundo considerasse o meu potencial algo a ser ignorado, uma piada sem graça que só eu insisto em contar. Estudei tanto, com promessas vazias de um futuro que nunca chegou, e agora sigo repetindo movimentos automáticos, alimentando uma esperança que se esvai a cada dia. Desejar... o que é mesmo desejar? Tudo que quero parece ofuscado por uma culpa ancestral, um erro cometido em outra vida, uma dívida que nunca quitei. É difícil encontrar prazer quando a mente está em guerra constante. A crítica que dirijo ao mundo, aprendi a direcionar também a mim mesmo, um erro sem perdão que só confirma aquilo que já sei: sou o capataz e o prisioneiro numa cela que construí com as minhas próprias mãos. A vida vai passando, e eu? Eu fico, talvez por escolha, talvez por fraqueza, sem saber ao certo onde o desejo acaba e a resignação começa.