Estou cansado dessa prisão invisível que a vida criou ao meu redor. É como se estivesse andando em círculos, gastando a sola dos meus sapatos numa estrada que não leva a lugar nenhum. Tantas promessas de futuro e agora estou com as mãos vazias, cercado por sombras do que eu poderia ter sido. O conhecimento acumulado pesa como uma âncora, me afunda em um mar de frustrações, onde nadar para a superfície parece uma cena de filme, longe da realidade. Você olha no espelho e não reconhece quem te encara de volta, um estranho com o olhar desbotado, cheio de lembranças de oportunidades perdidas. Esse impasse entre saber tanto e não saber o suficiente para sair desse labirinto é uma piada amarga. Não importa o quanto eu grite internamente, parece que ninguém ouve. A revolta entalada na garganta é um veneno que não consigo cuspir. A vida, com suas promessas vazias e ironias cruéis, dá risada enquanto eu tropeço nas mesmas pedras. É um teatro absurdo, um espetáculo ridículo onde todos parecem saber suas falas, menos eu. Talvez seja hora de rasgar o roteiro, chutar o cenário e sair dessa peça que já não tem mais graça. Que se danem as expectativas. Que se exploda esse caminho traçado por mãos invisíveis. Quero abrir meu próprio caminho, mesmo que tenha que destruir tudo até chegar lá.