Há dias em que a alma parece um eco em um vasto desfiladeiro, gritando por sentido, enquanto as montanhas apenas devolvem a mesma dúvida, repetidas vezes. O cansaço é um companheiro íntimo, um vulto que se insinua em cada pensamento, espreitando até os momentos de suposta quietude. As interações humanas exigem um esforço quase hercúleo, pois abrir-se a um mundo que parece não retribuir é assustador. Existe um desejo por conexão, mas a hesitação se infiltra como uma sombra que sussurra: “E se você se perder novamente?” É curioso como a sensação de não ter vivido o suficiente pode coexistir com um esgotamento tão profundo. A mente, de alguma forma aguçada, questiona sem descanso: qual o propósito de tanta corrida, de tanto perseguir? As filas, essas serpentes sem fim, simbolizam o perpetuar das esperas, e há quem se acomode, satisfeito em aguardar. Os Apelidados, que ditam o ritmo, parecem mover as peças de um tabuleiro que nunca se resolve, enquanto as esperanças desbotam, preso na burocracia do existir. Talvez o vazio não seja falta, mas espaço. Espaço para uma vida ainda não vivida, uma história que clama por capítulos novos, mas que hesita em começar. Pergunto-me se há uma linha entre viver e apenas existir. E se há, como se atravessa tal linha? As respostas flutuam fora do alcance, como fragmentos no vento.