É estranho viver nesse limbo onde as horas são longas mas os anos são curtos. Caminho por ruas que conheço bem, mas que não me conhecem. A sensação de ser uma peça fora do lugar, como aquele quebra-cabeça mal feito na sala de estar. As manhãs nascem com promessas que se dissolvem antes do café esfriar. O eco de vozes que disseram que haveria chegada, mas a única coisa que continua são as filas. Longas, intermináveis, onde o tempo brinca de esconde-esconde, mas nunca se revela. O que estou buscando? Algo que escapa às definições, talvez uma linha tênue entre o que sou e o que esperava ser. Há uma revolta que cresce, silenciosa, como uma maré que apenas eu sinto. Aqueles que chamarei de “guardiões da promessa” disseram que o esforço valeria; seus sorrisos eram tão confortantes quanto a melodia de uma música inacabada. Mas aqui estou, esperando por uma fila que nunca anda, uma dança onde os passos são sempre para trás. Será que existe um manual secreto que ensina a viver sem paralisar diante das interseções? A dúvida é voraz, mastiga o pouco que resta de entusiasmo. E, no fundo, me pergunto se a frustração não é a companheira constante daqueles que sonham alto mas andam em passos curtos. Enquanto isso, continuo a espera de algo que, talvez, nunca chegue, mas que, teimosamente, insisto em esperar.