Há um silêncio que contamina os dias, um não dito que ecoa mais forte que qualquer grito. Foi a vida que se impôs de forma abrupta, e cedo demais aprendi a carregar mais do que poderia suportar. É como se o tempo estivesse sempre um passo à frente, me cobrando uma maturidade que muitas vezes me foge. A busca por propósito em meio ao desencontro, um caminho trilhado entre trocas injustas e trabalhos que sufocam a essência. Sinto que já amei demais; talvez por isso hoje ressoe no peito um vazio. Num momento, foi fácil acreditar no brilho de promessas feitas na sombra de entardeceres. Agora, é apenas uma história que conto a mim mesmo para entender por que me fechei. Seria isso reflexo de uma defesa natural ou o resultado de desacertos acumulados? Afinal, quantas vezes podemos nos dar inteiros antes de começarmos a economizar pedaços de nós? E aquele que um dia foi um apoio tornou-se um peso, um laço desfeito que perdura por obrigação. Seria justo continuar a carregar alguém que já não se reconhece? Há um estranho na familiaridade de antigas risadas. Talvez a falta de coragem de soltar seja mais cruel que o próprio abandono. Mas quem sou eu para decidir o quando e o como? O que sobra de uma amizade alicerçada na vergonha de desatar nós que já não se sustentam?