Silêncio. Um eco constante dentro da caverna que se tornou minha cabeça. Ecos de risadas antigas, de um tempo em que a luz parecia mais viva, mais presente. Ah, como éramos invencíveis, eu e a luz. Agora, ela se esconde em cada esquina sombria da incerteza. Amadurecer cedo demais faz isso. Rouba a inocência, o prazer do desconhecido. Cada amanhecer, um lembrete do tempo que passa, do tempo que pesa. O dia começa, mas eu? Fico aqui, esperando alguma revelação, uma mentoria silenciosa que me guie. Dizem que é preciso encontrar direção, mas como, quando as direções se desfazem como areia nas mãos? Amor. Palavrinha maldita. Um dia, abri o peito, deixei outro ser entranhar-se em cada parte de mim. Para quê? Para agora cercar-me de muros altos, barrotes de aço emocional. Talvez proteção, talvez apenas uma prisão que eu mesmo criei. Emprego. Outra linha tênue. O mercado diz que sou insuficiente, um fantasma que vaga sem propósito. Mas eu sei. Sei que há algo mais. Em algum lugar, há um espaço que seja meu, onde posso florescer. Escrever, pelo menos, traz alívio. Uma fuga momentânea. Cada palavra um tijolo a menos nesse muro, cada frase uma respiração mais leve. E assim, sigo. Na esperança de que, talvez, apenas talvez, cada fragmento de mim se junte um dia.