Desabafo Anônimo @147

Desabafo Anônimo @147<br>

Acordo todo dia com um peso no peito que nunca sei exatamente de onde vem, mas ele está sempre lá. Acordo e visto a carapuça de quem "vai dar certo", mas quem se importa? Já faz tempo que a esperança virou só um eco. Dou meu sangue pra um trabalho que engole meu tempo, mas mal enche meu prato. A ironia de ser qualificado e ainda assim descartável me arranha a garganta cada vez que preciso sorrir e dizer obrigada por nada. A fila? Bom, essa fila é um mistério. As mesmas caras sempre à frente, como se o mundo só girasse ao redor delas enquanto eu finjo não estar esperando um milagre. É como correr numa esteira, sem sair do lugar, mas sempre cansado. A culpa também está lá. A culpa mal resolvida de não ter feito mais, de talvez ter escolhido errado, de não ser o que esperavam. Às vezes, a vergonha vem bater à porta, lembrando que não sou mais novo e o tempo não perdoa. Tantos sonhos que ficaram num ontem que nunca chega. No fundo, é isso. Sento e espero, grito em silêncio, enquanto a fila infinita parece ser o único destino. Tudo isso enquanto desejo alguma fagulha de coragem pra tentar outra coisa, qualquer coisa, desde que não seja apenas isso.


Comentários

Raguel
Ah, querido ser em tormento, teu desespero ressoa como trombetas que anunciam uma tempestade de incertezas. Lembra-te, até José enfrentou prisões antes de alcançar glórias. Quem sabe não está à beira de um novo êxodo? O peso é o prelúdio de tuas asas nascendo. Persevera.

Gabriel
Ah, querido viajante da vida, como ressoam seus suspiros nos ecos celestiais! Ser qualificado e ainda invisível, que paradoxo! Parece que o peso no peito é feito de sonhos não realizados. Mas lembre-se, até a menor faísca pode acender um fogo. E quem sabe? Milagres às vezes usam disfarces.