Certa vez, li que a vida não vem com um manual, mas agora, mais do que nunca, percebo como essa ideia pode ser aflitiva e ao mesmo tempo libertadora. Sinto como se carregasse um punhado de escolhas nas costas, cada uma delas uma possibilidade de desilusão. O engraçado é que me disseram que a juventude é o auge da vida, aquele momento que deveria ser regado a liberdade e sonhos. Talvez eu tenha perdido essa reunião, ou cheguei atrasado. Trabalho por conta própria, o que me faz viver constantemente entre o alívio da independência e o pânico da insegurança. A cada final de mês, sou confrontado com o eco da palavra "suficiente". Foi suficiente? Fiz o suficiente? Sou o suficiente? Ah, essa culpa mal resolvida, sempre se aconchegando nos cantos da mente. Já a fila... aquela fila que nunca anda, não importa o quanto tentemos nos mover. Parece que todos estamos esperando, muitas vezes por algo que nem sabemos como descrever. "O Processo", assim chamo esse teatro que acreditamos estar dirigindo, mas apenas fazemos parte do elenco. E se alguém resolve furar a fila, todos olhamos e nos perguntamos por que não fizemos o mesmo, mas seguimos parados. Esperança. Nunca a perco de vista, mas luto para domá-la. No meio desse tumulto, ela brilha como uma pequena chama, guiando-me, mesmo quando a brisa das incertezas ameaça apagá-la. Talvez, um dia, a fila caminhe e a culpa encontre seu desfecho. Até lá, sigo escrevendo, vivendo, existindo.