Às vezes, me pergunto onde começa e onde termina essa linha tênue entre o que quero e o que realmente sou. Acordar e sentir o vazio preenchendo cada fresta da mente é a rotina que me acompanha como uma sombra fiel. Será que algum dia conseguirei desatar os nós que eu mesmo criei? As expectativas não cumpridas, a constante sensação de ser um forasteiro na própria vida, em uma cidade onde o ruído das ruas ecoa o meu silêncio interior. O espelho reflete um rosto embaçado pelas dúvidas, cuja verdade parece sempre um passo à frente, inatingível. Estou preso na dança entre o desejo e a realidade, em um palco onde o protagonista hesita antes de cada passo, sem saber se a insegurança é a vilã ou apenas a narradora silenciosa. A rotina profissional revela-se uma maré baixa, onde as ondas são fracas e previsíveis, mas o fundo do mar continua um mistério. Talvez a busca seja a única constante, a procura por algo que não sei nomear. Será que estou condenado a esse eterno conflito? A solitude, paradoxalmente, é a única companhia que me faz sentir menos só, mas até ela às vezes parece uma traição silenciosa. E assim sigo, em um ciclo de perguntas sem respostas, esperando que, um dia, o silêncio me traga a paz que tanto almejo.