Nos corredores vazios da mente, onde ecos de escolhas e incertezas se acumulam, caminho só. Cada passo ressoa como um lamento de tempos não vividos, oportunidades escorregadias, perdidas entre os dedos. Sou um recipiente de sonhos desgastados, moldado pela pressão silenciosa das expectativas. Sinto o cansaço marcado nos ossos, um espectro que me acompanha, persistente, mesmo quando o sol nasce de novo. A educação, que deveria ser libertadora, parece uma cela; apenas mais um ciclo de perguntas sem respostas, onde aprendi mais com o silêncio e com o peso dos dias cinzentos do que com qualquer livro que já segurei. E esse desejo — um bicho indomável, parte de mim —, clama por liberdade e vida, mas sempre se choca contra a parede invisível das convenções e receios. A culpa... Ah, essa amiga amarga. Ela se agarra a mim, sussurrando memórias de decisões adiadas, de momentos em que o medo venceu a vontade. Sei que as cicatrizes da minha alma são alfabetos desordenados, escritos em uma língua que ainda não consigo decifrar. No fundo, talvez, a esperança viva. Um grão de areia escondido na ventania, aguardando o momento de semear algo novo, algo que me complete. Até lá, sigo escrevendo minha história com mãos trêmulas, buscando narrativas onde o peso da culpa possa, enfim, se dissolver em algo leve, quase etéreo, que eu possa um dia chamar de paz.