O chão parece escorregar debaixo dos meus pés, e a cada dia que passa, a sensação de estar à deriva só cresce. Existe uma espécie de silêncio ensurdecedor que acompanha o acordar, o mesmo tipo de silêncio que grita que nada mudou. As promessas de adolescência, os clichês sobre juventude e potencial, tudo desmoronou entre as rachaduras da realidade. É quase cômico pensar no tanto que já li, no tanto que já mergulhei em teorias, acreditando que o entendimento traria algum tipo de paz. Que piada. Conhecimento, no fundo, só serviu para expandir o abismo entre o que sou e o que poderia ter sido. A vergonha é uma sombra constante. Como se cada decisão errada tivesse gravado cicatrizes na pele, visíveis apenas para mim. Como se cada momento desperdiçado fosse um sussurro inaudível no fundo da mente, repetindo que a culpa é toda minha. O emprego? Uma miragem no deserto de currículos enviados e entrevistas que nunca retornam. E ainda assim, a pressão para sorrir e suportar, a absurda expectativa de que preciso fingir que está tudo bem. Só que não está. E mentir para mim mesmo só parece aprofundar esse vazio. Revolta. É isso que resta. Contra essa roda que gira, contra as vozes que insistem em dizer que dá tempo. O tempo, insensível, apenas segue em frente.
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