Sabe, tem dias em que tudo parece parado. Não sei se é a escola, parece um museu de glórias passadas. Todo dia, a mesma coisa, como um relógio quebrado insistindo em marcar o mesmo instante. A única coisa que muda é o cansaço crescendo em mim, acumulando-se como poeira nos cantos que ninguém limpa. Me sinto preso nesse teatro de repetições, onde o papel do protagonista é ser uma peça num quebra-cabeça desgastado. Vivo esse paradoxo, entre o que querem que eu seja e o que eu sou. É como estar preso num labirinto sem saída, onde cada esquina é um reflexo das mesmas paredes frias e sem cor. E o desejo, ah, esse é um bicho traiçoeiro. Um grito afogado num mar de expectativas fabricadas. Sinto-o latejando, um lembrete de que quero algo mais, algo que ainda não sei definir. Mas, nesse lugar onde o tempo parou, desejos são como ecos que se dissipam, fantasmas de sonhos que nunca deixam de assombrar. Talvez seja isso, a lição invisível que ninguém ensina: viver no contraste entre a dor e a esperança, num mundo que se recusa a mudar. Enquanto isso, sigo, meio que flutuando, aprendendo a ler as entrelinhas do silêncio, porque ninguém aqui parece estar disposto a ouvir a verdadeira melodia.