Todo dia tem um peso que carrego, como uma mochila cheia de pedras que eu mesmo escolhi. Sabe quando você olha no espelho e não vê nada além de um borrão de expectativas falhadas? Pois é. Esse borrão sou eu, a sombra de alguém que nunca realmente se encontrou. A sociedade está cheia de cartilhas sobre sucesso, mas nenhuma delas me preparou para o papel de figurante na minha própria vida. Passei a vida toda ouvindo que devia fazer isso ou aquilo, como se seguir um roteiro fosse o suficiente. E aqui estou: preso num ciclo de empregos que sugam a alma, rodeado por pessoas que falam de sonhos como se fossem moedas em um cofrinho que nunca vai encher. Consumo inspirações alheias, mas tudo o que sinto é uma fome insaciável de ser algo que não sei definir. A culpa é uma sombra constante, aquela companheira à espreita, me lembrando das oportunidades que esqueci de abraçar. A sensação é de carregar cicatrizes invisíveis, gravadas não na pele, mas no que sobrou do que um dia chamei de esperança. E, sim, eu aprendi mais na escola da vida — só que as lições vieram em tapas, cada um mais dolorido que o anterior. Não é drama; é a realidade. Uma realidade recheada de escolhas não feitas, de vozes caladas, de um eu que nunca realmente acordou.