Sabe aquela sensação de estar sempre correndo, mas sem sair do lugar? É como se a vida fosse um desses sonhos em que você se esforça, mas o chão é feito de areia movediça. No fundo, parece um filme cuja história eu já conheço, mas ainda assim não consigo evitar a tensão das reviravoltas esperadas. As responsabilidades invisíveis — aquelas que ninguém nota, mas que sugam sua energia como um buraco negro disfarçado de trivialidade — estão sempre ali, sempre esfregando na minha cara que não existe pausa para a dor da cabeça, ou para a hipocrisia do "tá tudo bem". Amar demais foi meu esporte predileto, até perceber que jogava sozinho. Agora, construí uma fortaleza de sarcasmo e ironia ao meu redor. É mais fácil rir amargamente das ironias da vida, como ter um QI elevado e não saber usar o fogão sem queimar o arroz. Há uma faísca de esperança presa dentro de uma caixa que me recuso a abrir. Ela está ali, sempre presente, mas é mais seguro deixá-la contida, como um lembrete de que poderia ser pior. Sim, a esperança é a quadragésima função invisível, aquela que, mesmo invisível, pesa como um elefante sobre meu peito — e ainda assim, é o que me faz continuar, um passo de cada vez, em direção a este destino incerto, mas inevitável.