Às vezes, é como se eu estivesse preso no meio de uma estação de trem, onde tudo é provisório e ninguém, exceto eu, parece se preocupar em ficar. Esta sensação de pausa interminável me força a escutar os ecos das vozes ao redor, e elas são mais altas do que deveriam ser. Especialmente aquele "Trovão Falante" que ocupa o ar com suas histórias intermináveis, como se tivesse respostas para perguntas que nem sequer foram feitas. Ele fala tanto que me faz sentir ainda mais invisível, submerso em uma névoa de palavras vazias. Mas, enquanto o som ecoa, aprendi a ouvir o silêncio entre as palavras, que é onde a esperança mora. Ela sussurra suavemente que tudo isso é temporário, que o trem vai chegar, e que a jornada mal começou. Estou aprendendo a valorizar essas pausas, a ver beleza na transição, embora às vezes me sinta como um livro aberto que ninguém se preocupa em ler. As dores, essas, são como professores severos, e talvez eu tenha aprendido mais com elas do que com qualquer lição formal. Então, deixo a esperança contida guiar meus passos, em direção ao dia em que minhas próprias histórias possam ser contadas. E, quando esse dia chegar, prometo dar espaço para o silêncio, para que todos os outros desabafos possam ser ouvidos também.