No turbilhão da incerteza, cada dia acorda com um gosto amargo. Há um vazio, um eco persistente de perguntas sem resposta. O sol atravessa a janela sem aviso, mas a luz não aquece, só expõe as rachaduras, as sombras que carrego dentro. O tempo, esse ladrão, escorre por entre os dedos, e estou aqui, sem bússola, em um oceano de possibilidades que mais aprisiona do que liberta. Projetos vêm e vão, como folhas ao vento, e a estabilidade é um sonho distante, uma miragem. O coração anseia por algo sólido, um lar, uma voz ao lado que diga: “Estou aqui”. Mas, ao mesmo tempo, o medo do apego ergue muros invisíveis, sustentados por memórias de vínculos desfeitos e promessas esquecidas. Conhecimento, ah! Tanto conhecimento, e ainda assim, a direção falta. Caminhos se multiplicam como labirintos, cada escolha uma renúncia, cada passo uma incerteza. Sente-se como caminhar sobre cacos de vidro, onde qualquer movimento pode ferir. A noite é mais longa do que os ponteiros permitem, e o silêncio grita. A tristeza não é uma tempestade, mas uma garoa constante que penetra a alma. E nesse mar interior, navego, sem saber se sou a âncora ou o navio. Apenas esperando que, um dia, a bruma se dissipe e a visão fique mais clara. Até lá, apenas flutuo.